Dos muros
O Jardim da Gulbenkian está a ser requalificado, juntamente com a Rua Marquês da Fronteira e largo de São Sebastião.
Do projecto de requalificação do jardim estava prevista a demolição dos muros altos que ali estavam e que separavam o jardim da via pública. Muros esses que tinham ameias de castelo e portões de jazigo.
Enquanto estavam a ser derrubados os muros havia tapumes, mas as obras estão agora numa fase mais avançada e estão agora a fazer o alargamento da via e a requalificação do passeio e sua integração com o jardim, já sem os tapumes.
E de repente... há árvores na cidade! As árvores enormes, que estavam ali há décadas, circundadas por um muro que lhes chegava ao início das copas... aproximaram-se de nós e estão ao alcance, da vista, da mão e da alma.
Como um simples gesto de derrubar 1 muro aproximou uma coisa inamovível... as árvores não se mexeram do sítio... embora eu tenha olhado de vários ângulos para confirmar se era mesmo assim, tal era a ilusão (ou mais o efeito, que ilusão) óptica.
A única coisa que saiu foi o muro.
No sofisma de ser uma protecção, além de barreira visual, instigou distância. Do jardim às pessoas e das pessoas ao jardim.
Só quem estava mesmo determinado a ver e a proveitar o jardim lá entrava... e mesmo assim, o que via, via numa perspectiva enviesada e de "toca".
Sem o muro, as árvores... deram-se ao mundo, sem medos... aproximaram-se, sem se mexerem... e o mundo pode aproveitá-las e ver o seu esplendor sem ter de fazer 1 esforço desmesurado e hercúleo para o conseguir.
Nunca com aqueles muros as árvores seriam vistas na sua plenitude!
E fiquei a pensar: assim também acontece com as pessoas e outro tipo de muros, "invisíveis"...
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