Dos cinzentos, das incertezas e das inconclusões

Sempre lidei mal com cinzentos.
Gosto de coisas definidas, a preto e branco ou a cores. 
Gosto de saber com o que (e com quem) conto. E com o que  (e com quem) não conto.
Gosto de regras e de ordem, embora viva muitas vezes na desarrumação  (espacial, emocional ou intelectual).
A minha segurança e sentido de pertença dependem dessa definição.  Para o bem e para o mal. 
Talvez também por isso me tenha formado em direito. 
Viver de inconclusões é para mim viver no limbo. É viver em suspenso. É viver em apneia. É viver em permanente busca de certeza e de definição. 
Não navego confortável em zonas que não conheço e menos ainda nas que são turvas.
Tenho algum medo do desconhecido. Zero curiosidade.... antes me assusta e aflige.
Deve ser por isso que odeio nevoeiro... odeio a sensação de poder ser apanhada de surpresa por algo que não antecipei, que não antevi, que não ponderei.
Aprendi há uns tempos que preocupar-me é estar ocupada antecipadamente,  muitas vezes com um assunto que jamais se concretizará. Mas a incerteza e a inconclusão faz preocupar-me. Ponho a hipótese de todos os cenários hipotéticos, desde os mais prováveis aos mais improváveis e analiso tudo.
E isto cansa. Esta analítica toda cansa muito.
Nao lido bem com a incerteza, a inconclusão, o nebluso, porque me frustra e me estafa!
Bem sei que não se tem de perceber tudo... e que há mistérios insondáveis para os quais resta apenas a fé.  Mas a compreensão do que nos rodeia e do que nos acontece... é mesmo meio caminho andado para a sua aceitação.

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